terça-feira, 13 de agosto de 2013

O que não se conta sobre o lucro recorde do BB

Por Nazareno Godeiro (www.cspconlutas.org.br)

Uma das principais notícias do dia 13 de agosto é que o Banco do Brasil teve o maior lucro da historia dos bancos no primeiro semestre de 2013. Mas o que não está em nenhuma matéria publicada nos mais diversos meios de comunicação é o que está por trás dessa espantosa lucratividade e as consequências nefastas tanto para os trabalhadores em geral quanto para os bancários.

Vejamos:

a) Supexploração dos seus funcionários que rendeu em 2011, cada um, a quantia de R$ 616 mil reais e custou apenas R$ 109 mil reais. Em apenas 3 dias de trabalho um bancário do BB paga seu salário mensal e trabalha 17 dias de graça para o Banco.

b) O BB já contava com 36 mil correspondentes bancários em junho de 2012, de um total de 128 mil funcionários. É a terceirização da categoria: o salário de um correspondente bancário chega somente a 25% do salário do bancário. 

c) Privatização de partes do BB: do total de R$ 7,4 bilhões de lucro no segundo trimestre de 2013, R$ 4,8 bilhões se deu via venda de ações da BB Seguridade, braço de seguros do banco. Os principais compradores (que adquiriram 58,4% das ações) foram o JP Morgan e o Citibank. Lula já havia vendido em 2009, 30% das ações do Banco do Brasil e a maioria dos compradores também foi composta por estrangeiros.

d) Além disso, o BB está extorquindo os clientes cobrando tarifas altas pelos serviços bancários: arrecadou R$ 18,9 bilhões em 2012 com cobrança de serviços enquanto pagou R$ 15,7 bilhões de folha de pagamento. 

Dessa forma, o PT no governo transformou um banco estatal que deveria servir ao povo brasileiro em um banco a serviço do lucro privado.

Os banqueiros estão levando toda a riqueza do Brasil, em prejuízo da população e do desenvolvimento do país. São parasitas que estão destruindo nossa economia, cobrando os juros mais altos do mundo. Quanto mais tempo eles dominarem nossa economia, mais tempo levaremos para recuperar-nos da crise que se avizinha. 

A orientação dos banqueiros é a redução dos custos, por isso, em 2012 demitiram 10.752 bancários dos bancos privados. Enquanto isso, o BB não convoca os concursados, promove um PDV e acelera a terceirização em atividades-fins, através dos correspondentes bancários. 

Nazareno Godeiro é pesquisador do Ilaese (Instituto Latino-americano de Estudos Socioeconômicos) 

domingo, 11 de agosto de 2013

EXIGIMOS A CONVOCÃO DO FÓRUM DOS DELEGADOS SINDICAIS


Construindo o 30 de agosto e a Campanha Salarial



Na última assembleia da categoria, ocorrida no dia 29 de julho, o MNOB/BA esteve presente e defendeu a construção do dia 30 de agosto, Dia Nacional de Greve e Paralisações, em bancários. Para tal, orientamos a realização de um fórum dos delegados sindicais e de uma assembleia de preparação da greve, dois espaços que deveriam acontecer na segunda semana de agosto. Essas propostas foram votadas como deliberações da assembleia e o sindicato se comprometeu a convocar o Fórum dos Delegados Sindicais antecipadamente, a fim de dar tempo para divulgação e organização desta reunião.
No dia 11 de julho, a classe trabalhadora entrou com força no processo de lutas que sacudiu o país. Apesar do boicote da grande mídia, esse dia de lutas foi a maior mobilização de trabalhadores em muitos anos, com paralisações e greves em diversas categorias e a realização de manifestações de rua por todo o país. Esse dia foi convocado por todas as centrais sindicais, que se unificaram em torno de reivindicações como o fim do fator previdenciário, mais verbas pra saúde e educação, contra as terceirizações e privatizações, etc.
Na Bahia, o 11 de julho foi uma vitória: várias categorias fizeram greve e paralisações e fizemos um ato de rua que reuniu dezenas de milhares de trabalhadores e estudantes. Em bancários tiramos greve para marcar o dia, duas assembléias foram realizadas e aprovaram a greve. A participação dos bancários no dia 11 de julho foi importante, mas poderia ter sido maior, com a categoria aderindo realmente, se tivéssemos apostado no trabalho de base. Uma mobilização, uma greve deve ser construída com a participação de toda a categoria.
Agora é hora de continuar a mobilização nacional, unificar a luta política e as reivindicações da campanha salarial. O 30 de agosto está sendo chamado pelas centrais sindicais e já faz parte do calendário da campanha salarial de algumas categorias de peso, como a bancária. A construção de uma greve importante em bancários no dia 30 pode significar fortalecimento da nossa campanha salarial e uma maior disposição da categoria para a luta, seja nas ruas, seja na possível greve da campanha salarial. Para tal, precisamos disputar a consciência de cada colega e dar condições para que todos participem das mobilizações. O primeiro passo para esse trabalho de base é fortalecer os delegados sindicais para essa disputa. O Fórum dos Delegados Sindicais é um espaço para isso, reunir os delegados para debater as mobilizações, ouvir a realidade de cada local de trabalho e pensar em táticas para mover os colegas.
Por isso, EXIGIMOS do Sindicato dos Bancários da Bahia que CONVOQUE urgentemente o FÓRUM DOS DELEGADOS SINDICAIS!O Sindicato dos Bancários da Bahia deve também viabilizar a participação dos delegados do interior com LIBERAÇÃO do trabalho, PASSAGEM e HOSPEDAGEM.

MNOB BA – Movimento Nacional de Oposição Bancária – Bahia

Filiado a CSP CONLUTAS 

domingo, 12 de maio de 2013

TESE DO MNOB AO CONGRESSO DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL

Leia a tese que o MNOB defenderá no Congresso dos funcionários do Banco do Brasil. O congresso ocorrerá nos próximos dias 17, 18 e 19, em São Paulo.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Jornada no BB: Sindicato Floripa orienta não assinatura do plano antes do debate



Plenária está marcada para esta quarta-feira, dia 30. 
 
  Como já foi divulgado na semana passado, o Banco do Brasil apresentou nesta segunda-feira, 28 de janeiro, o novo Plano de Funções comissionados de 6 horas. A Instrução Normativa 917-1 já está em vigor, mas ainda sem clareza para pontos importantes. A Normativa organiza as funções previstas em dois planos: de Funções Gratificadas, com jornada de 6 horas; e de Funções de Confiança, sujeitos à jornada de 8 horas e/ou não sujeitos ao controle de jornada.
 
   O Sindicato dos Bancários de Florianópolis e Região reassalta a importância do debate prévio entre a categoria antes de qualquer decisão sobre aderir ao plano ou não. O que é certo, é que haverá redução salarial proporcional, apesar do banco afirmar que redução proporcional não configura prejuízo para o trabalhador. O SEEB Floripa é contra qualquer medida que reduza os salários dos bancários e, dada e a falta de acesso ao teor dos termos de adesão ao Plano e dúvidas geradas pelos critérios divulgados até então, a entidade orienta que os funcionários do BB participem da plenária, marcada para esta quarta-feira, dia 30, no auditório do Hotel Flop, na Rua Artista Bittencourt, nº 14, centro, às 18h.   
 
  O SEEB também já estuda ingressas com ações na justiça com pedido de antecipação de tutela de mérito (liminar) a fim de inibir à ameaça de descomissionamento aos empregados ocupantes de função de confiança que não vierem a aderir ao novo descritivo do cargo, bem como buscando a preservação do padrão salarial dos empregados, sem prejuízo da redução da jornada de trabalho para 6 horas.
 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Nota Oposição SP sobre a proposta de horas


 Colegas,
  
O Banco do Brasil está articulando um ataque histórico a nossa categoria. Junto a isso, a burocracia sindical se mostra conivente com tais ataques na medida em que não organiza a categoria para resistir. Nós, da Oposição Bancária, cobramos publicamente um posicionamento firme da direção sindical no tocante a resistir ao ataque do Banco sobre a jornada de 6h.
     
Na CLT - Art. 224
       

“A  duração normal do trabalho dos empregados em bancos, casas bancárias e Caixa Econômica Federal será de 6 (seis) horas contínuas nos dias úteis, com exceção dos sábados, perfazendo um total de 30 (trinta) horas de trabalho por semana.”

                                    
A exceção está contemplada no § 2o do art. 224 da CLT:
         

“As disposições deste artigo não se aplicam aos que exercem funções de direções, gerência, fiscalizações, chefia e equivalentes ou que desempenhem outros cargos de confiança, desde que o valor da gratificação não seja inferior a 1/3 do salá́rio do cargo efetivo.”

    
A Lei que deveria nos favorecer, também pode ser interpretada a favor do empregador. Isso significa que a nossa luta só pode se dar no âmbito político. E o nosso sindicato assume essa posição política quando vai a um encontro com a direção do Banco sem organizar os trabalhadores para pressionar as decisões dos administradores, como ocorreu no último dia 22/01.
    
Neste sentido, precisamos urgentemente mostrar ao BB a nossa capacidade de dizer não a uma proposta esdrúxula como apontada nas premissas divulgadas pela CONTRAF/CUT.                                                           
       
O funcionalismo hoje sofre demasiadamente com LER-DORT, assédio moral, síndrome do pânico, hipertensão e doenças cardiovasculares, entre outros. Tais demandas estão diretamente relacionadas a nossa luta histórica pela jornada de 6h. Essa luta sofreu muitos reveses ao logo dos últimos 50 anos e hoje a interpretação da CLT vem sendo aplicada a favor dos empregadores. Para revertermos esse quadro precisamos nos organizar no sindicato e resistir a proposta que o Banco promete fazer na próxima segunda feira (dia 28/01). Essa necessidade de organizarmos a resistência ao ataque do Banco se mostra ainda maior, considerando que o próprio Sindicato reconhece que a intransigência do Banco e que “a postura é absurda e causará um grande tumulto a milhares de trabalhadores em funções comissionadas”, conforme notícia veiculada no site do Sindicato.


Exigimos que a direção do Sindicato organize manifestos, paralisações, movimento que caracterize a nossa luta como uma luta política e exigimos que o sindicato esteja do lado do funcionalismo.
     
Na intenção de responder algumas dúvidas sobre a implementação das seis horas no BB, nós da Oposição Bancária fizemos algumas perguntas e respostas na tentativa de fomentar as discussões entre todos.
        
1-Por que o bancário tem direito de trabalhar seis horas ?
     
A CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), estabelece que a jornada do bancário é de seis horas, exceto cargos de confiança. Esse direito foi conquistado na luta pelos trabalhadores, há décadas, pois a atividade bancária é reconhecidamente estressante e por isso deve ser reduzida. Para burlar esse direito o BB criou uma situação bizarra, na qual considera mais de 70% dos seus funcionários na condição de comissionados. Na intenção de responder algumas dúvidas que os colegas tem sobre a implementação das seis horas no BB, nós da oposição fizemos algumas perguntas e respostas na tentativa de responder às dúvidas dos colegas.
         

2- Por que o BB resolveu implementar as seis horas ?

A situação era cômoda para o BB, somente os funcionários que se aposentavam entravam na justiça revindicando as 7ª e 8ª horas. Como a legislação estabelece que o trabalhador pode cobrar na Justiça do Trabalho apenas os últimos cinco anos trabalhados, o banco ficava no lucro. No entanto, vários sindicatos pressionados pelos trabalhadores começaram a entrar com ação coletivas para fazer valer um direito burlado pelo Banco. Além disso, vários funcionários da ativa começaram a entrar com ações individuais. O BB vem sofrendo derrotas em muitas dessas batalhas judiciais e já tem alguns funcionários trabalhando seis horas após decisão judicial. Essa situação fez o passivo trabalhista do banco crescer de forma astronômica e, por este motivo, resolveu implantar o cargo comissionado de seis horas. Hoje a maior parte dos trabalhadores sabem que teriam o direito de trabalhar seis horas. E a mobilização em torno desse direito é algo que o banco não deseja.
Vale ressaltar que há muito tempo os bancários de São Paulo cobram da diretoria do Sindicato uma atitude em relação à entrada de ações judiciais contra o Banco para garantia da jornada legalmente estabelecida. Ao contrário de outros sindicatos, o Sindicato de São Paulo negou-se a utilizar-se desse instrumento de pressão contra o Banco, o que demonstrou ser uma prática equivocada da nossa direção.


3- Quais os riscos do acordo assinado pela CONTRAF/CUT na última campanha salarial?

O acordo fechado na última campanha salarial é um cheque em branco para o Banco, não garante que não exista redução salarial, não estabelece quais comissões vão trabalhar seis horas e obriga os sindicatos a suspenderem por seis meses todas as ações judiciais coletivas sobre a questão. Veja uma situação, um assistente de Brasília que esta prestes a garantir em última instância o direito de trabalhar seis horas, teria que aceitar redução salarial e não receberia o valor integral que o banco deve de horas extras dos últimos cincos anos.


4- Como foram implementadas as seis horas na CEF?

Na CEF praticamente todos os cargos comissionados são de seis horas atualmente. O banco pagou uma indenização que equivaleria os 30% dos valores devidos nos últimos cinco anos. O novo plano tinha comissões com valores menores, mas essa redução não foi linear para todos os cargos, teve gente que perdeu mais e inclusive gente que não perdeu porque foi comissionado em comissões mais alta que estava. Os trabalhadores tinham que abrir mão das ações judiciais que possuíam contra o banco ou a possibilidade de entrar com ações futuras sobre seis horas. A adesão ao novo plano de comissões era vinculado ao trabalhador fazer acordo na CCV, quem não fizesse não poderia entrar no novo plano de comissões que estabelecia jornada de seis horas. Quem não migrasse não poderia participar de novos processos seletivos. A justiça tem derrubado essas vinculações.


5- O que é CCV ?

A CCV (Comissão de Conciliação Voluntária) tem como objetivo que o bancário renuncie ao seu direito de entrar na justiça para rever as duas horas extras que tem o direito a receber. O banco estabelece um percentual que pagaria como indenização pelo bancário ter trabalhado ilegalmente oito horas. No caso da CEF esse valor ficou em torno 30% do valor devido pelo banco.


6-As seis horas serão obrigatórias ?

O banco afirmou que não será obrigatória, mas como o novo plano de cargos do banco existirá comissões que serão seis hora e outras oito horas. Se o funcionário não aderir, ele ficará em um plano de cargos em extinção. Isto impede que concorra a qualquer outra comissão. Por exemplo, se ele é Assistente B e não migrar, ele ficará até o final da carreira com essa comissão, se não for descomissionado por ato de gestão ou por avaliações negativas na GDP.


7- Haverá redução salarial ?

Está claro que a política do banco é reduzir salário na implementação do plano. O mais provável que não seja igual para todas as comissões. Como o banco não pode reduzir salário porque a Constituição proíbe, ele vai apresentar um novo plano de comissões, onde o funcionário vai aderir por "livre e espontânea vontade".


8- Quais comissões têm direito às seis horas ?

Acreditamos que todos os bancários têm direito a trabalhar seis horas. No entanto, possivelmente o banco usará argumentos de que a gerência média, por exemplo, é cargo de confiança por ter funcionários subordinados, validarem ponto eletrônico, etc. Mas nós sabemos que o conjunto da gerência média cumpre um papel operacional e não tem poder de decisão sobre os rumos da dependência, muito menos do banco. O mais provável é que a proposta do banco abranja somente os cargos técnicos como assistentes, auxiliares, engenheiros e analistas.


9- O BB vai aumentar o número de funcionários e de comissões para suprir a redução de jornada?

A princípio o banco pretende aumentar o grau de exploração da categoria e tentar que o trabalho que é feito em 8 horas seja feito em 6. O banco chamou isso de "eficiência operacional", o que deve significar aumento do assédio moral no conjunto das unidades do BB.


10- O que fazer ?

A saída tem que ser coletiva. Exigimos que o sindicato convoque assembleia para 48 horas após a apresentação da proposta pelo banco, para que a categoria analise e decida sobre a aceitação ou rejeição da mesma. Vários sindicatos já assumiram compromisso de convocar assembleias como é o caso do DF, BA, Bauru, RN, MA, Florianópolis e Campinas. A Oposição Bancária de SP/MNOB vai defender que, caso a proposta retire direitos temos que recusá-la, aprovar um calendário de mobilização e marcar um processo de negociação com banco para melhorá-la. Na assembleia também devemos aprovar que SP, entre ação coletiva de seis horas. funcionários são de "cargos de confiança".


Oposição Bancaria-SP/MNOB/CSP-CONLUTAS

Nota Oposição SP sobre a proposta de ¨horas


 
 
 
Colegas,
  
O Banco do Brasil está articulando um ataque histórico a nossa categoria. Junto a isso, a burocracia sindical se mostra conivente com tais ataques na medida em que não organiza a categoria para resistir. Nós, da Oposição Bancária, cobramos publicamente um posicionamento firme da direção sindical no tocante a resistir ao ataque do Banco sobre a jornada de 6h.
     
Na CLT - Art. 224
       

“A  duração normal do trabalho dos empregados em bancos, casas bancárias e Caixa Econômica Federal será de 6 (seis) horas contínuas nos dias úteis, com exceção dos sábados, perfazendo um total de 30 (trinta) horas de trabalho por semana.”

                                    
A exceção está contemplada no § 2o do art. 224 da CLT:
         

“As disposições deste artigo não se aplicam aos que exercem funções de direções, gerência, fiscalizações, chefia e equivalentes ou que desempenhem outros cargos de confiança, desde que o valor da gratificação não seja inferior a 1/3 do salá́rio do cargo efetivo.”

    
A Lei que deveria nos favorecer, também pode ser interpretada a favor do empregador. Isso significa que a nossa luta só pode se dar no âmbito político. E o nosso sindicato assume essa posição política quando vai a um encontro com a direção do Banco sem organizar os trabalhadores para pressionar as decisões dos administradores, como ocorreu no último dia 22/01.
    
Neste sentido, precisamos urgentemente mostrar ao BB a nossa capacidade de dizer não a uma proposta esdrúxula como apontada nas premissas divulgadas pela CONTRAF/CUT.                                                           
       
O funcionalismo hoje sofre demasiadamente com LER-DORT, assédio moral, síndrome do pânico, hipertensão e doenças cardiovasculares, entre outros. Tais demandas estão diretamente relacionadas a nossa luta histórica pela jornada de 6h. Essa luta sofreu muitos reveses ao logo dos últimos 50 anos e hoje a interpretação da CLT vem sendo aplicada a favor dos empregadores. Para revertermos esse quadro precisamos nos organizar no sindicato e resistir a proposta que o Banco promete fazer na próxima segunda feira (dia 28/01). Essa necessidade de organizarmos a resistência ao ataque do Banco se mostra ainda maior, considerando que o próprio Sindicato reconhece que a intransigência do Banco e que “a postura é absurda e causará um grande tumulto a milhares de trabalhadores em funções comissionadas”, conforme notícia veiculada no site do Sindicato.


Exigimos que a direção do Sindicato organize manifestos, paralisações, movimento que caracterize a nossa luta como uma luta política e exigimos que o sindicato esteja do lado do funcionalismo.
     
Na intenção de responder algumas dúvidas sobre a implementação das seis horas no BB, nós da Oposição Bancária fizemos algumas perguntas e respostas na tentativa de fomentar as discussões entre todos.
        
1-Por que o bancário tem direito de trabalhar seis horas ?
     
A CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), estabelece que a jornada do bancário é de seis horas, exceto cargos de confiança. Esse direito foi conquistado na luta pelos trabalhadores, há décadas, pois a atividade bancária é reconhecidamente estressante e por isso deve ser reduzida. Para burlar esse direito o BB criou uma situação bizarra, na qual considera mais de 70% dos seus funcionários na condição de comissionados. Na intenção de responder algumas dúvidas que os colegas tem sobre a implementação das seis horas no BB, nós da oposição fizemos algumas perguntas e respostas na tentativa de responder às dúvidas dos colegas.
         

2- Por que o BB resolveu implementar as seis horas ?

A situação era cômoda para o BB, somente os funcionários que se aposentavam entravam na justiça revindicando as 7ª e 8ª horas. Como a legislação estabelece que o trabalhador pode cobrar na Justiça do Trabalho apenas os últimos cinco anos trabalhados, o banco ficava no lucro. No entanto, vários sindicatos pressionados pelos trabalhadores começaram a entrar com ação coletivas para fazer valer um direito burlado pelo Banco. Além disso, vários funcionários da ativa começaram a entrar com ações individuais. O BB vem sofrendo derrotas em muitas dessas batalhas judiciais e já tem alguns funcionários trabalhando seis horas após decisão judicial. Essa situação fez o passivo trabalhista do banco crescer de forma astronômica e, por este motivo, resolveu implantar o cargo comissionado de seis horas. Hoje a maior parte dos trabalhadores sabem que teriam o direito de trabalhar seis horas. E a mobilização em torno desse direito é algo que o banco não deseja.
Vale ressaltar que há muito tempo os bancários de São Paulo cobram da diretoria do Sindicato uma atitude em relação à entrada de ações judiciais contra o Banco para garantia da jornada legalmente estabelecida. Ao contrário de outros sindicatos, o Sindicato de São Paulo negou-se a utilizar-se desse instrumento de pressão contra o Banco, o que demonstrou ser uma prática equivocada da nossa direção.


3- Quais os riscos do acordo assinado pela CONTRAF/CUT na última campanha salarial?

O acordo fechado na última campanha salarial é um cheque em branco para o Banco, não garante que não exista redução salarial, não estabelece quais comissões vão trabalhar seis horas e obriga os sindicatos a suspenderem por seis meses todas as ações judiciais coletivas sobre a questão. Veja uma situação, um assistente de Brasília que esta prestes a garantir em última instância o direito de trabalhar seis horas, teria que aceitar redução salarial e não receberia o valor integral que o banco deve de horas extras dos últimos cincos anos.


4- Como foram implementadas as seis horas na CEF?

Na CEF praticamente todos os cargos comissionados são de seis horas atualmente. O banco pagou uma indenização que equivaleria os 30% dos valores devidos nos últimos cinco anos. O novo plano tinha comissões com valores menores, mas essa redução não foi linear para todos os cargos, teve gente que perdeu mais e inclusive gente que não perdeu porque foi comissionado em comissões mais alta que estava. Os trabalhadores tinham que abrir mão das ações judiciais que possuíam contra o banco ou a possibilidade de entrar com ações futuras sobre seis horas. A adesão ao novo plano de comissões era vinculado ao trabalhador fazer acordo na CCV, quem não fizesse não poderia entrar no novo plano de comissões que estabelecia jornada de seis horas. Quem não migrasse não poderia participar de novos processos seletivos. A justiça tem derrubado essas vinculações.


5- O que é CCV ?

A CCV (Comissão de Conciliação Voluntária) tem como objetivo que o bancário renuncie ao seu direito de entrar na justiça para rever as duas horas extras que tem o direito a receber. O banco estabelece um percentual que pagaria como indenização pelo bancário ter trabalhado ilegalmente oito horas. No caso da CEF esse valor ficou em torno 30% do valor devido pelo banco.


6-As seis horas serão obrigatórias ?

O banco afirmou que não será obrigatória, mas como o novo plano de cargos do banco existirá comissões que serão seis hora e outras oito horas. Se o funcionário não aderir, ele ficará em um plano de cargos em extinção. Isto impede que concorra a qualquer outra comissão. Por exemplo, se ele é Assistente B e não migrar, ele ficará até o final da carreira com essa comissão, se não for descomissionado por ato de gestão ou por avaliações negativas na GDP.


7- Haverá redução salarial ?

Está claro que a política do banco é reduzir salário na implementação do plano. O mais provável que não seja igual para todas as comissões. Como o banco não pode reduzir salário porque a Constituição proíbe, ele vai apresentar um novo plano de comissões, onde o funcionário vai aderir por "livre e espontânea vontade".


8- Quais comissões têm direito às seis horas ?

Acreditamos que todos os bancários têm direito a trabalhar seis horas. No entanto, possivelmente o banco usará argumentos de que a gerência média, por exemplo, é cargo de confiança por ter funcionários subordinados, validarem ponto eletrônico, etc. Mas nós sabemos que o conjunto da gerência média cumpre um papel operacional e não tem poder de decisão sobre os rumos da dependência, muito menos do banco. O mais provável é que a proposta do banco abranja somente os cargos técnicos como assistentes, auxiliares, engenheiros e analistas.


9- O BB vai aumentar o número de funcionários e de comissões para suprir a redução de jornada?

A princípio o banco pretende aumentar o grau de exploração da categoria e tentar que o trabalho que é feito em 8 horas seja feito em 6. O banco chamou isso de "eficiência operacional", o que deve significar aumento do assédio moral no conjunto das unidades do BB.


10- O que fazer ?

A saída tem que ser coletiva. Exigimos que o sindicato convoque assembleia para 48 horas após a apresentação da proposta pelo banco, para que a categoria analise e decida sobre a aceitação ou rejeição da mesma. Vários sindicatos já assumiram compromisso de convocar assembleias como é o caso do DF, BA, Bauru, RN, MA, Florianópolis e Campinas. A Oposição Bancária de SP/MNOB vai defender que, caso a proposta retire direitos temos que recusá-la, aprovar um calendário de mobilização e marcar um processo de negociação com banco para melhorá-la. Na assembleia também devemos aprovar que SP, entre ação coletiva de seis horas. funcionários são de "cargos de confiança".


Oposição Bancaria-SP/MNOB/CSP-CONLUTAS

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Sindicalista demitido em Caetité: Confira carta de desabafo e solidariedade escrita por um bancário


Alguns  porquês da  negação à demissão injusta do trabalhador e sindicalista Lucas. Uma escrita sentida e a necessidade de ir à rua

Florival José Bomfim Junior* e Jaíra Capistrano**

            Imperioso realizar uma análise além do individual ou pessoal na demissão sem justa causa, ou melhor, abusiva do companheiro sindicalista Lucas da Indústrias Nucleares do Brasil- INB. Em um quadrante primeiro cristalino, sem dúvida que a demissão é indevida, injusta, ilegítima e ilegal. Não somente atinge e violenta o trabalhador sindicalista, a sua pessoa no seu ser trabalhador, mas no seu derredor e na sua família. Em essência agride de forma repulsiva, antidemocrática e aética, a alma da instituição orgânico-trabalhista do sindicato. São somas adjetivas concretas que se somadas chegaria a um núcleo de dor e violência tempestuosos. Neste processo perverso, o coletivo, o corpo orgânico institucional da representação trabalhista, de grande historicidade obreira, encontra-se desprezado, vilipendiado, visceralmente agredido.

            O indignar-se com a injusta e violenta demissão do sindicalista Lucas, sente-se e vai muito mais do indignar-se com o seu arrasado estado emocional, a sua dor pessoal, física e psicológica. É nas corredeiras das correntes de dores, no campo das lutas legitimas dos operários, que brota o indignar-se com a violência ao todo, com a forte e agressiva pancada ao organizar legitimo e solidário dos trabalhadores. Encontra-se ferida, neste nefasto demitir, a sociedade política, toda e qualquer forma de organização coletiva de essência participativa e verdadeiramente democrática. Neste real e contemporâneo embate entre capital e trabalho, os sindicatos e demais instituições de base encontram-se apedrejados. Nesta prática, do medo, da mentira, do assédio, da discriminação, encontra-se concretamente rasgada a carta magna e todos os seus dignos e formais princípios.

            Na multiplicidade que agride o trabalhador, as organizações coletivas e a humanidade, encontra-se a mão invisível do mercado, do lucro, do egoísmo, do governo neoliberal de matriz capitalista, contra as visíveis mãos do trabalhador que resiste e resiste: à violência no trabalho, a corrupção e desvios de recursos, os assédios, as condições insalubres e periculosas, as ameaças veladas. E mais. Resiste ao caldo mortal do urânio no teu corpo, na tua alma e no corpo e alma dos teus, dos seus e dos outros trabalhadores, e de forma una de toda uma geração presente e futura.

            Em tais circunstâncias vis do liberal capital, a criatura operária pelo seu conteúdo representa a classe dos trabalhadores, a organização imprescindível do ser coletivo, um ser não dado, mas material e dialeticamente transformado, historicamente construído, onde nesta categoria repousa a dignidade do todo, dos trabalhadores,  a classe em sua movimentação solidária, de interesse de classe, no seu mais legitimo processo de resistência.
                                  
            Escrever em dor solidária no caos concreto em cidade de caldo cultural, é muito pouco. Derramar lágrimas em silêncio é somente sentir, grande sem dúvida, é conclamar todas as organizações de classe das Cidades, dos Estados e do País e em um movimento solidário, revolucionário, e de fato, além da denúncia nos foros institucionais da superestrutura, marchar para frente da INB, e estancar a produção, gritar, lutar, conversar com cada trabalhador da unidade, até que se faça justiça, respeito e diálogo à classe trabalhadora deste país.

            Força camarada Lucas! Homens fortes, destemidos e resistentes como você, foram marcados com sangue pela ousadia de arrostar o sistema, mas marcaram a História vivida e construída sem negociar marcos da decência e da consciência da classe que trabalha.  Esta, inexoravelmente, promoverá a superação pelo trabalho frente à sua dialética com o capital.

           Eis a tarefa histórica que cabe, singularmente, ao trabalho que mais que oportunamente conclama:

                                             Trabalhadores, à união!!!!!!

* Florival é advogado e Diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia
** Jaíra é advogada e professora do curso de Direito da Ucsal 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Entenda: qual a lógica da nossa PLR?

 
Acabamos de receber nossa PLR e muitos têm perguntado: porque recebemos um valor muito menor que o do 2° semestre de 2011? Porque é tão baixo o valor da parcela variável? Qual a lógica deste acordo coletivo de PLR?
 
Enquanto o sindicato, fazendo coro com o Banco, afirma que nossa PLR é um exemplo a ser seguido pelos demais bancos e que o acordo deste ano significa a manutenção de uma conquista dos funcionários do BB, nós, da Oposição, afirmamos o oposto: o acordo do BB é um Robin Hood ao contrário! Entenda porque:
 
O acordo coletivo da PLR tem a seguinte redação:
"Clásula Decima Segunda: O Modulo BB Constitui-se das seguintes parcelas:
I Parcela Linear do 4% do lucro liquido verificado em cada semestre civil do exercicio de 2012, disbribuido lierarmente entre todos os participantes do Programa PLR, definidos da Clásula Setima desse acordo coletivo de trabalho.
II Parcela Variável, equivalente à diferença entre o valor correspondente à quantidade de salários paradigmas definidos pelo Banco e a soma do Módulo FENABAN e da Parcela Linear definida no inciso I desta clausula de Trabalho -ATB do respcetivo semestre de verificação do lucro liquido."
 
Traduzindo: a determinação de quantos salários cada cargo receberá fica a critério da diretoria do BB. E eles decidiram que, apesar do lucro ter diminuído, os superintendentes e gerentes executivos deveriam continuar recebendo a título de PLR 3 vezes o valor de referência de seus cargos, resultando num valor de cerca de R$ 70.600,00 para cada um neste semestre. Mas é claro que, se o lucro diminuiu, para manter o mesmo cálculo de PLR para estes senhores, foi preciso tirar do resto. Por isso, o BB decidiu que os Assistentes A e B, por exemplo, que no acordo passado receberam 1,62 salários, deveriam receber agora 1,26!
 
No caso do Assistente B, cujo valor de referência era de R$ 2.971,44 (antes da aplicação dos 7,5% de reajuste), é só multiplicar este valor por 1,26 e o resultado será exatamente os R$ 3.744,01 (valor bruto da PLR). Quanto ao valor da parcela variável, ele é obtido simplesmente pela diferença entre o valor de 1,26 salários e a soma das outras duas parcelas da PLR (a parcela BB - R$ 1.832,41 e a parcela Fenaban - R$ 1.890,19). Ou seja, a parcela variável simplesmente complementa o valor resultante da soma das outras 2 parcelas para que o valor total chegue então ao determinado pelo BB (1,26 salários). Por isso, neste caso, do Assistente B, a parcela variável foi somente R$ 21,41!
 
Podemos ver como o banco recompensa seus funcionários! E ainda tem gestor afirmando que, por "comprometimento", os funcionários devem compensar as horas da greve. Outros fazem pior: tentam nos enganar, dizendo que a compensação é obrigatória. Mas o texto do acordo não deixa dúvidas: as horas não trabalhadas, independente de serem ou não compensadas pelo funcionário, NÃO PODERÃO SER DESCONTADAS. Portanto, a compensação não é obrigatória. O texto estabelece somente um limite máximo de horas suplementares por dia (2 horas) e, em nenhum momento, fala de um limite mínimo.
 
No ano passado, o BB simplesmente sumiu com os normativos adotados nos últimos anos, que deixavam claro que as horas não compensadas seriam anistiadas. Estes normativos desaparecidos não estão disponíveis sequer para consulta. Mas, mesmo recorrendo a este tipo de recursos, o BB não conseguiu mudar a situação: a cada ano, cada vez menos funcionários fazem a compensação. Neste ano, não se estabeleceu uma IN para regulamentar a compensação do acordo 2012.Talvez porque nenhum normativo pode estabelecer qualquer punição ao funcionário que não compense, já que o acordo que o banco assinou não permite que isso aconteça. Ou seja, os gerentes podem pedir, dizer que vão solicitar escalas, prorrogar horários dos funcionários, etc., mas não poderão fazer absolutamente nada se simplesmente sairmos em nosso horário normal.
 
Por isso, nós, da Oposição, achamos que devemos dar ao BB uma resposta clara à falta de consideração que tem conosco, demonstrada no acordo coletivo e na PLR: não compensemos um minuto sequer! Para isso, você pode responder o e-mail que porventura tenha recebido do seu gerente, dizendo que não compensará, ou simplesmente ignorá-lo se preferir. Esclarecemos mais uma vez que a prorrogação da jornada significa somente que o ponto eletrônico está aberto caso o funcionário deseje permanecer trabalhando. De nenhuma forma isso obriga a fazer hora extra, pois isso a nossa CLT trata de estabelecer sem deixar margem para dúvidas: a realização de hora extra depende de disponibilidade e consentimento do funcionário, não podendo ser imposta unilateralmente pelo empregador.
Não aceitamos que o Banco queira transformar o instrumento da greve em uma simples transferência das horas não trabalhadas durante a paralisação para o período posterior a ela. Quem lutou por todos não deve ser punido! Nossa resposta deve ser um índice de compensação ainda menor neste ano.
 
Vamos nos organizar, em cada equipe, para não compensar um minuto sequer. Ao sofrer qualquer tipo de pressão, denuncie: procure os delegados sindicais do seu setor ou entre em contato com a Oposição Bancária.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Censura: Polícia invade Sindicato dos Bancários de São Paulo




É incrível como a burguesia age. Eles fazem doações milionárias aos candidatos que defendam seus interesses comerciais, ocupam todo o espaço de mídia restringindo ao máximo as propostas socialistas, e proíbem as organizações operárias de fazerem doações ou apoiar uma candidatura da classe trabalhadora.

Em que pese nossas divergências políticas com a CUT temos que repudiar essa ação policial organizada por setores mais reacionários da burguesia. É preciso por um fim a essa lei que proíbe os sindicatos de participarem das campanhas eleitorais, pois as entidades sindicais têm que fazer política para nossa classe, tanto quanto a FIESP ou a FENABAN o fazem para a burguesia.

Alem do mais, a PM é um instrumento militar e sua ação, como a que ocorreu nas sedes do Sindicato dos Bancários de SP representa um atentado à democracia. As eleições, em particular o debate, não são caso de polícia e quem lança mão deste artifício é porque já perdeu a capacidade de argumentar e discutir propostas e, agora, no desespero, lança mão da truculência do estado para impedir que o debate se aprofunde na sociedade.

  • Pelo mais amplo direito de discussão e campanha entre os trabalhadores;
  • Nenhuma intervenção nos sindicatos;
  • Fora a PM e o Estado das instituições sindicais;
  • Pelo mais amplo direito de debate político nos locais de trabalho!
 
Saudações Socialistas,
Wilson Ribeiro


A pedido de Serra, Policia invade Sindicato dos Bancários

Enviado por luisnassif, sex, 05/10/2012 - 08:52
Atualizado 05/10 às 8:52
Agora à noite, oficiais de Justiça, acompanhado de policiais, invadiram as 7 sedes regionais do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Com autorização inclusive para arrombar portas e armários, abriram gavetas, vasculharam arquivos, atrás de supostos materiais de campanha contra Serra.
O pedido foi feito pela Coligação Avança São Paulo, de Serra. A ordem inicial era a de recolher a Folha Bancária que, segundo denúncias, traria material de propaganda eleitoral.
Em toda eleição, o Sindicato reserva a última edição, antes da votação, para externar a posição política da diretoria. Foi a isso que se aferrou o grupo de Serra.
Por Nilva de Souza
Ação contra jornal dos trabalhadores que trazia reportagem sobre eleição do dia 7 foi recolhido e retirado do site do SindicatoSão Paulo - A Folha Bancária foi censurada. Um policial militar e uma oficial de Justiça estiveram na sede do Sindicato na noite desta quinta-feira 4, além das regionais da entidade, com ordem de busca e apreensão da última edição da FB. A representação protocolada na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo (Bela Vista – Capital) na mesma quinta-feira, foi assinada pela juíza Carla Themis Lagrotta Germano, e previa inclusive ordem de arrombamento, “se necessário”.
A censura teve origem em pedido da coligação do candidato José Serra (Avança São Paulo – PSDB, PSD, DEM, PV e PR) que solicitou o recolhimento dos exemplares da Folha Bancária, além da retirada da versão online do site. O mandado afirma que a “matéria denigre a imagem” de Serra.
O jornal trazia na última página reportagem que analisava as propostas e trazia o histórico dos candidatos que lideram a pesquisa à prefeitura de São Paulo: Russomano, Serra e Haddad. Também declarava o apoio da maioria da direção executiva da entidade a Fernando Haddad (PT), o único a receber e se comprometer com a Agenda da Classe Trabalhadora.
“O Sindicato tem quase 90 anos de existência e sempre lutou pela democracia e pela liberdade de expressão. Desde o ano passado estamos fazendo o debate, com os bancários, do que afeta a qualidade de vida dos trabalhadores. Além da campanha salarial e por melhores condições de trabalho, somos um sindicato cidadão se preocupa com a cidade, o estado e o país em que os trabalhadores vivem. Sabemos da importância desse debate”, afirma a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira. "Os trabalhadores têm direito a analisar as propostas dos candidatos. Pode haver divergência, mas repudiamos a censura”, ressalta a dirigente, lembrando que a FB coloca em prática o bom jornalismo. “Não denegrimos a imagem de ninguém. Só não pudemos noticiar o plano de governo de um dos candidatos que não tem seu material divulgado nos sites oficiais da campanha.”
Dados – O jornal Folha Bancária circula desde 1939, o site do Sindicato está no ar desde 2005. É a primeira vez que sofrem censura.
O advogado do Sindicato, Luiz Eduardo Greenhalgh, estranha o desrespeito com que a liminar foi cumprida no Sindicato. “Entraram. Foram recepcionados por funcionários do Sindicato e invadiram as dependências. Comportamento estranho, que não é a conduta costumeira da Justiça eleitoral de São Paulo”, afirma. “Com relação ao mérito vamos contestar e tentar suspender a busca e apreensão.”
Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, está sendo usurpado o direito de informação dos trabalhadores. “Todos os veículos se expressam e respeitamos. Defendemos a liberdade de imprensa, o direito à livre manifestação e foi isso que colocamos em prática. É o nosso ponto de vista, podem concordar ou discordar, mas não censurar”, ressalta o dirigente.
Revista do Brasil – Esta é a terceira vez que Serra investe contra a liberdade de expressão dos trabalhadores, quando o assunto não lhe agrada. Em 2006 e 2010, duas edições da Revista do Brasil, uma que trazia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outra com a então candidata à presidência Dilma Rousseff, foram censuradas por solicitação da coligação tucana à época daquelas eleições. A Revista do Brasil é mantida por cerca de 60 sindicatos de diversas categorias profissionais.