sexta-feira, 4 de outubro de 2013

BANCÁRI@S: VAMOS DIZER NÃO A PRIVATIZAÇÃO DO PRÉ-SAL

O Governo Dilma (PT) anunciou para o próximo dia 21 de outubro a 12ª rodada de licitações com o leilão do poço de Libra, a maior reserva de petróleo já descoberta no país e que está localizada na camada do Pré-sal, na bacia de Santos. Estima-se o tamanho da reserva em 15 bilhões de barris de óleo de excelente qualidade. Em termos comparativos, corresponde, sozinho, a metade das reservas comprovadas do país. Uma riqueza calculada em 3 trilhões de reais, que o governo espera se desfazer por 15 bi de reais! Importante frisar que tal descoberta foi feita por técnicos brasileiros a partir do desenvolvimento de tecnologia própria da Petrobras, a maior empresa brasileira e a líder mundial na exploração de petróleo em águas profundas. Se a privatização acontecer, será a maior entrega de petróleo da história do país. Um prejuízo enorme à nossa população e à nossa soberania.

Nas campanhas eleitorais, os então candidatos do PT, Lula por duas vezes e Dilma na última eleição, tiveram como mote de campanha a crítica às privatizações realizadas pelos governos de FHC. Passado as campanhas, o que se viu foi a continuidade da aplicação das políticas neoliberais em nosso país, agora com um verniz desenvolvimentista, e da entrega de nosso patrimônio às multinacionais e à banca internacional.

Estradas, portos, aeroportos passam às mãos privadas sob o nome de “concessões”. Nosso petróleo entregue em sucessivos leilões. Desmonte da Petrobras com o vertiginoso crescimento das terceirizações. Ações da Petrobras vendidas no cassino da bolsa de Nova Iorque. Hoje, 62% das ações da empresa estão em mãos das grandes companhias do setor, e estas, por sua vez, nas mãos dos banqueiros internacionais. Isso faz com que o preço dos combustíveis praticado pela Petrobras no Brasil siga o preço internacional, muito acima dos custos envolvidos na atividade, a fim de garantir uma extraordinária lucratividade aos acionistas.

A privatização da Petrobrás, marcada pela vendas das ações e pelos leilões do petróleo (dos poços maduros aos pré sal) apenas beneficiam os banqueiros e o grande empresariado. A população brasileira só perde: e perde duas vezes. Primeiro porque os royalties recebidos pelo governo correspondem a apenas 10% do lucro pela venda dos barris de petróleo, ou seja, deixamos de receber bilhões de reais que poderiam ser investidos em educação e saúde. E segundo, porque a verba obtida com os leilões será utilizada para pagar a divida pública aos banqueiros, dívida essa que já foi paga várias vezes!!!!

A opção petista de governar para os bancos e as multinacionais fez com que o país seguisse dependente do capital financeiro externo. O país carrega o peso de uma dívida pública gigantesca, feita originalmente pelos militares à revelia do povo, que só faz crescer ano a ano, apesar da enorme fatia de 44% do orçamento da União destinada ao pagamento de juros e amortizações. Além do sacrifício adicional com os cortes no orçamento social para garantir os superávits primários (economia para pagamento da dívida aos banqueiros).

Essa situação tem consequencias diretas em nossas vidas, enquanto trabalhadores brasileiros. Uma enorme soma de recursos financeiros que poderiam ser utilizadas em investimentos sociais em saúde, educação, mobilidade urbana, habitação, saneamento, melhorias salariais, está sendo canalizada em favor dos banqueiros internacionais. As privatizações realizadas e as em curso aumentam o custo de vida para os trabalhadores. Num contexto de crise internacional do capitalismo, que vem se aproximando cada vez mais do Brasil – como mostram a queda na atividade industrial, a redução dos investimentos, o déficit na balança comercial, a deterioração das contas públicas, aumento no preço de alimentos – o leilão soma-se a outras medidas em beneficio da lucratividade das grandes empresas e bancos e da formação de caixa do governo para pagamento de juros da dívida.

Barrar o leilão e reverter a privatização e desmonte da Petrobras é a necessidade urgente dos trabalhadores brasileiros, que se agrava com a informação de espionagem da Petrobras pelo governo americano. Nós bancários precisamos abraçar essa luta. Dizer bem alto, com toda a força de nossa greve, que somos contrários a privatização colocada em curso pelo governo Dilma. A CSP- Conlutas (Central Sindical e Popular) está construindo com outras organizações a jornada nacional de mobilizações para barrar a entrega das reservas brasileiras do pré-sal e pela defesa da Petrobras 100% estatal e sob o controle dos trabalhadores.

Calendário de mobilizações:

24 de setembro – início de um acampamento no Rio de Janeiro
3 de outubro – no aniversário de 60 anos da Petrobrás, os movimento sociais realizarão atos pelo país afora e iniciam um acampamento também em Brasília
7 de outubro – realização de um mega ato político-cultural no Rio de Janeiro, com participação de artistas e intelectuais
14 a 18 de outubro – a luta contra os leilões de petróleo nos estados
17 de outubro – marchas nas principais capitais do país contra o leilão de Libra
21 de outubro – grande manifestação nacional contra a entrega de Libra na cidade onde for realizado o leilão

Veja o vídeo produzido pela Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) sobre o tema.