quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A crise da Cassi: não aceitaremos nenhum retrocesso!




Sóstenes Brilhante*

A Cassi é um plano de assistência médica, que não visa o lucro, baseando-se no principio da solidariedade entre os associados, tanto contributivamente quanto no custeio dos serviços médicos utilizados. A Cassi opera dois planos: o Associados (funcionários ativos, aposentados e seus dependentes) e o Família. O Banco como patrocinador participa da gestão da entidade e indica membros para sua administração, assim como o Corpo Social.

A Cassi está enfrentando déficits seguidos no seu orçamento sem que até agora se tenha chegado dentro dela a um consenso sobre o que fazer a respeito. Neste sentido, recentemente fomos surpreendidos com a proposta do “salvamento” do Banco à Cassi. De acordo com essa proposta o Banco faria um aporte à Cassi e em troca iria se desonerar com aposentados atuais e futuros que ficariam portanto a cargo única e exclusivamente da Cassi, além de “mudanças de gestão” na caixa de assistência.

Para isso, propôs uma reforma estatutária que o desobrigaria de cumprir com a Deliberação CVM 695, item 30. Que quer dizer isto? A norma citada estabelece a obrigação da entidade patrocinadora (empregador) de “fornecer os benefícios pactuados aos atuais e ex-empregados” (item a) e de “assumir o risco atuarial de que os benefícios venham a custar mais do que o esperado” (item b).

O Banco alega que quer “melhoria das práticas de gestão” da Cassi. Não sabemos o que isto quer dizer de fato, mas como o mesmo propôs como medidas emergenciais a suspensão dos benefícios como o PAF (reembolso de medicamentos), franquia em alguns casos, e contribuição por dependentes (quebra do princípio da solidariedade) e não mais apenas por titular, podemos acreditar que a empresa entende por melhorar a gestão transformar a Cassi em uma espécie de plano de mercado que reduz custos em detrimento da saúde dos associados.

De outro lado, nas mesas de negociação os representantes do corpo funcional (Contraf/CUT) têm apresentado propostas insatisfatórias e que no fundo irão penalizar os trabalhadores, tais como a contribuição sobre acordos judiciais, BET,CCP,CCV e a destinação de 5 por cento da PLR para cobrir o déficit antes da sua distribuição aos funcionários. Esta última proposta não foi sequer apresentada em qualquer plenária de base, congresso de funcionários e constituiria um acordo espúrio por parte dos representantes dos funcionários.

O Banco procura se isentar de qualquer decisão sobre déficit durante a campanha salarial deixando claro que quer protelar a questão para depois impor a sua proposta. Proposta esta que não pode ser vista como solução visto que irá retirar aporte de recursos a Cassi no longo prazo em nome de um socorro paliativo.

O Banco visa assim, de fato: Liberar-se do valor de 5,8 milhões hoje destinados ao fim constante da CVM 695 item 30, se capitalizando artificialmente com recursos que hoje garantem os aposentados. Poderá distribuir fartas PLR’s para os dirigentes a título de lucros extraordinários. Ajudar o governo nos tempos de ajuste fiscal, com a distribuição de dividendos , e por fim se desonerar para todo o sempre dos aposentados demonstrando de fato que os aposentados significam  apenas objetos descartáveis, que a empresa utilizou durante anos para seus fins e agora descarta na lata de lixo.

A crise da Cassi e a proposta nefasta do Banco só podem ser entendidas no contexto geral de reestruturacão do Banco do Brasil desde os governos FHC até hoje, onde através de sucessivos ataques o mesmo foi remodelado para se tornar uma empresa pública apenas no nome.  A essência do Banco hoje é a de um banco privado, por sua logica privatizante de rentabilização a qualquer preço.

O preço sentido é o da vida dos funcionários que além de terem visto seu nível de renda declinar absurdamente, sofrem com sobrecarga nos locais de trabalho pelo enxugamento do número de trabalhadores. Sofrem também com as pressões cotidianas por metas absurdas carentes de qualquer sentido, cujo único objetivo real é criar um clima de tensão e assedio coletivo a serviço do lucro.

O déficit da Cassi resulta sim de um duplo movimento histórico de repressão salarial que degradou a contribuição do Banco e dos funcionários inclusive com redução em 1997 da alíquota com a qual contribuía para a Cassi por funcionário e, de outro lado, das vicissitudes do modelo que vigora na Cassi que está atrelado à saúde de mercado, serviços particulares, etc, que não investe, portanto,  num modelo preventivo de saúde. Na medida em que a saúde pública se encontra cada vez mais precarizada, a saúde se torna um negócio altamente rentável e a Cassi não tem como arcar com os custos dos serviços, pois sua receita está achatada pelos motivos acima elencados.  

Na última reunião do dia 04/09 ficamos sabendo estranhamente que o Banco do Brasil descobriu que possui uma dívida com a Cassi relativa a acertos do PAS e Benefícios do INSS que cobriria o déficit deste ano. Por qual motivo o Banco não revelou antes tal informação e por que divulgou Boletim alarmista em que procurava introduzir suas propostas de reforma num contexto de “falência da CASSI”? Qual o objetivo real disto?

Por isto cada trabalhador deve se posicionar em relação ao futuro de sua saúde, ir às assembleias, participar das discussões e da campanha salarial exigindo das direções sindicais atuais a convocação de um Congresso Nacional amplo e participativo de funcionários da ativa e aposentados que formule uma proposta dos trabalhadores para o presente e o futuro da CASSI.

Somos também a favor da participação de Juliana Donato, representante dos funcionários no Conselho de Administração do BB, na comissão de negociação sobre a Cassi.  Participam da comissão 5 entidades, com seus representantes: a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramos Financeiro (CONTRAF/CUT), a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (CONTEC), a Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB), a Federação das Associações de Aposentados e Pensionistas do Banco do Brasil (FAABB) e a Associação dos Aposentados e Funcionários do Banco do Brasil (AAFBB). Das 5 entidades, somente a CONTRAF/CUT não aceita sua participação. A presença de Juliana na mesa pode ser decisiva para que os funcionários do banco sejam ouvidos na discussão das possíveis soluções para a crise de nossa caixa de assistência.

Em nossa opinião deve-se apontar soluções que passem por :

Não aceitar adiar a solução para depois da campanha salarial, com a categoria desmobilizada o Banco passará com maior facilidade sua “proposta de salvamento”; Exigir uma solução que passe pela valorização real de nossos salários repondo as perdas históricas da categoria (que viu seu salario médio sair de 7,32 salários mínimos em meados de 90 para 2,79 em 2013), gerando assim receita de contribuições tanto nossas quanto patronais; Recuperar a alíquota de contribuição do Banco ao que era antes da reforma estatutária de 1997 (onde caiu de 2 vezes a do funcionário para 1,5); Reconhecimento da responsabilidade do Banco sobre as doenças funcionais e do trabalho arcando com todo o ônus das mesmas, que o Banco pague pelo adoecimento que causa ao trabalhador! Rejeição total e absoluta da tentativa do Banco de se liberar das obrigações com os aposentados decorrentes da CVM 695 item 30.

Não somos “copo descartável” o Banco do Brasil deve garantir a saúde dos funcionários, ex-funcionários e de seus dependentes. O Banco do Brasil é uma empresa altamente lucrativa (entre 2002 e 2012 evoluiu seu lucro de 2 bilhões para 12.2 bilhões, tendo neste primeiro semestre chegado a casa dos 8 bilhões). O banco tem sim condições de apresentar uma solução que não reduza benefícios e direitos dos trabalhadores, já penalizados, seja pela repressão salarial histórica, seja pelo ritmo de trabalho. Somos nós que geramos o lucro do Banco, temos o direito de exigir dele que pague a conta de nossa saúde.

Pela inclusão do tema Cassi nas negociações da Campanha Salarial! Todos às assembleias,  por uma mobilização de verdade nesta greve!

* Funcionário do Banco do Brasil, Delegado Sindical na agência Irará e constrói a Oposição Bancária da Bahia (MNOB/CSP Conlutas)

domingo, 12 de julho de 2015

APRESENTAÇÃO DA TESE DO MNOB - 2015

CONTINUIDADE DA TESE DO MNOB

Precisamos mudar o rumo de nossa campanha salarial


Nós do MNOB/CSP-Conlutas apoiamos a proposta saída da Plenária realizada por diversos ativistas em São Paulo, em junho passado, chamando a formação de um Bloco de Oposição que una todos os setores descontentes com o velho script da Contraf-CUT, para que juntos possamos desenvolver ações unitárias na campanha salarial, aliando-nos a outras categorias em luta, rumo à Greve Geral, e assim darmos um basta aos ataques contra nossa classe.

O atual cenário exige que tenhamos uma postura mais ofensiva na campanha salarial. Se a dinâmica persistir na busca da preservação do governo Dilma, estaremos sob sério risco de derrota.

Além disso, a campanha salarial precisa ser construída na base, organizando os colegas desde o local de trabalho, e com ampla democracia nos fóruns de decisão, para que a vontade da categoria prevaleça.

Na Conferência Nacional dos Bancários precisamos garantir a luta por: Reposição das perdas; Fim imediato das demissões! Estabilidade no empregado garantida em Acordo Coletivo; Avanço na conquista de direitos para as bancárias. Respeito às mulheres e à maternidade! Manutenção de todos os benefícios durante a licença-maternidade; Fortalecer o processo de negociação dos bancos públicos – a mesa específica deve discutir também as questões econômicas diretamente com a direção dos bancos e com o governo; Isonomia de direitos e fim da discriminação aos incorporados; Fim das metas e do assédio moral. Saúde não se negocia; Não aos Acordos de compensação de horas de greve. Greve é direito; Fim dos correspondentes bancários e da terceirização; PLR linear!

PARA DERROTAR O AJUSTE FISCAL: Unificar as lutas e parar o país pra valer!




A conjuntura tem sido marcada por fortes ataques aos direitos e as condições de vida dos trabalhadores. As MPs 664 e 665 do governo Dilma, o corte bilionário no orçamento social, o PL da terceirização em curso no Congresso, a redução de jornada com redução salarial, as privatizações apresentadas como abertura de capital e concessões, a política de juros altos, são todas elas medidas que visam garantir os lucros dos bancos e das grandes empresas diante da atual fase da crise econômica

As demissões avançam em diversos setores, inclusive nos bancos, lançando centenas de milhares de trabalhadores a sua própria sorte e pressionando os salários para baixo. A inflação crescente, que já atingiu 8,89% nos últimos 12 meses (IPCA), consome com mais rapidez nossos salários.

Essa conjuntura exige uma resposta contundente do movimento dos trabalhadores para reverter tais decisões e seus efeitos sobre a nossa classe. Não é justo que paguemos a fatura dessa crise. Não a criamos. É preciso unir o conjunto dos trabalhadores, unificar as lutas em curso e parar o país pra valer. É necessário avançar na construção de uma greve geral no Brasil para derrotar o ajuste fiscal dos governos e as medidas do Congresso.

As direções majoritárias do movimento não encampam essa luta. As relações de colaboração da CUT e da CTB com o governo, fizeram com que estas centrais restringissem as atividades nacionais de 15 de abril e 29 de maio a paralisações parciais e atos de rua, sem o envolvimento da base das categorias. Em muitos sindicatos, sequer assembleia foi convocada.

É preciso independência em relação aos governos para avançar na luta contra todos esses ataques do governo Dilma e do Congresso. Chega de colaboração com o governo! 

segunda-feira, 20 de abril de 2015


Vem aí o 2º Congresso da CSP Conlutas

2° Congresso da CSP Conlutas: preparar a classe

 trabalhadora para os enfrentamentos que virão



Um chamado aos lutadores e lutadoras de nosso país
Realizaremos o II Congresso Nacional da CSP-Conlutas em 2015. Trata-se, na verdade, do sexto congresso do processo mais recente de reorganização da classe trabalhadora brasileira, se tomamos como referência a eleição do governo de Frente Popular, em 2003, e o Conat (Congresso Nacional de Trabalhadores), realizado em 2006.
Cenário político – O PT e seu bloco de partidos aliados entraram no quarto mandato à frente da presidência do país.
O cenário pós-eleitoral já está mostrando o caráter e a quem se dirige o novo governo: buscou o presidente do Bradesco para ser ministro da Economia; frustrada a iniciativa, trouxe outro representante do mercado para a função. Convidou a presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Kátia Abreu, para ser a ministra da Agricultura.
Já estão em curso um ajuste fiscal e de tarifas públicas, a elevação dos juros e novos cortes no orçamento, assim como as medidas provisórias 664 e 665 que implicam numa minirreforma trabalhista e da previdência social. A conta da crise econômica, mais uma vez, será jogada nas costas da população pobre e trabalhadora.
Esta gestão do governo de Dilma Rousseff será de muitos enfrentamentos com a classe trabalhadora brasileira. A CSP-Conlutas deve se preparar para esse cenário e seu II Congresso pode cumprir um papel importante na organização das lutas e na disputa da direção do movimento dos trabalhadores em nosso país.
Vitória amarga – A vitória eleitoral de Dilma foi amarga. Deu-se em base à ruptura de um amplo setor de massas, em particular nos grandes centros urbanos do sudeste-sul, que votou na oposição. Em muitas regiões de periferia e concentrações operárias importantes, o PT foi derrotado pela primeira vez em anos.
Esse voto, ainda que dado à oposição de direita que disputava o segundo turno, expressa, de maneira distorcida, o descontentamento de parte importante da população com o governo federal; um voto de protesto ou de ruptura, mesmo que incompleta, com a direção ainda majoritária do movimento de massas no Brasil.
Oposição de direita – O PT, suas alianças e sua política de ataques à classe trabalhadora e favorecimento dos grandes empresários, à frente do governo, abriu caminho para que a oposição de direita polarizasse as eleições. No movimento sindical tivemos, de maneira ofensiva, pela primeira vez, a articulação das centrais alinhadas com o candidato do PSDB, que foram às ruas, pediram o voto no candidato e apresentaram uma “pauta trabalhista” que incluiu promessas de mudança no fator previdenciário, no cálculo das aposentadorias etc.
O espaço ocupado pela oposição de direita na disputa presidencial não guarda, contudo, relação com os movimentos da classe trabalhadora, da juventude e organizações estudantis, dos movimentos populares, das periferias e dos setores que lutam contra a opressão – mulheres, LGBTs e negros e negras.
Reorganização do movimento – No terreno da organização sindical e popular de nossa classe podemos ter um papel muito mais destacado do que o espaço que foi reservado aos setores da esquerda socialista no processo eleitoral, em eleições totalmente controladas pelas máquinas eleitorais dos grandes partidos e pelo grande empresariado, que financiou a maioria dos eleitos.
Esse elemento político novo é fundamental: a CUT e o PT não são as referências imediatas de grande parte dos novos setores de trabalhadores e da juventude que entram em luta depois de mais de doze anos de governo de Frente Popular. A vanguarda que emerge dessas lutas desconfia das instituições e de seus dirigentes, incluindo os sindicatos.
Mas esse é um fenômeno progressivo e atinge mais fortemente as direções majoritárias. Se essa situação evolui e avança na ruptura de setores de massa com as direções governistas, essa hipótese, se confirmada, abre novas possibilidades para a construção de uma alternativa de massas que organize amplamente os trabalhadores no Brasil.
Retomada das lutas – A retomada, com mais vigor, das lutas sindicais e populares, pelo menos desde meados de 2012, mas com um salto a partir de junho e julho de 2013, se enfrenta com uma forte resistência dos patrões, dos governos, das polícias, da Justiça. Existe uma polarização social muito grande em nosso país e um processo intenso de criminalização das lutas e dos ativistas.
As explosões nas grandes obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em 2011/2012 já mostravam um grau de insatisfação latente entre os trabalhadores e a classe operária em particular. As jornadas de junho/julho de 2013 potencializaram e deram novos contornos à luta da classe trabalhadora brasileira. Nos últimos três anos, verificamos um salto no patamar das greves em nosso país: em 2012 foram 873 greves, contra 554 em 2011, com um número de horas paradas 75% superior. Esses números são os maiores desde 1989/1990.
Durante a Copa e as eleições houve uma diminuição das greves, mas que não configura uma mudança no ânimo, na disposição de luta de amplos setores da classe. Mesmo durante as eleições tivemos greves na construção civil de Belém (PA) e nas universidades estaduais paulistas, que alcançaram importantes vitórias.
Esse processo seguiu com as greves dos rodoviários de Brasília (DF), dos metroviários de Recife (PE), das trabalhadoras da Contax no Rio Grande do Sul, dos trabalhadores da construção civil de Pernambuco e da Embraer de São José dos Campos (SP), além de manifestações importantes do movimento popular urbano, em particular em São Paulo, com o MTST e dezenas de outras organizações.
O ano de 2015 já começa marcado pela resistência aos ataques dos governos e patrões, expressas nas greves dos operários da Volks de São Bernardo do Campo e dos trabalhadores em educação do Paraná.
CSP-Conlutas se fortalece – A CSP-Conlutas vem se fortalecendo em vários setores como uma referência para a luta da classe e espaço de organização de setores da esquerda sindical, popular e da juventude. A Central interveio nos processos mais importantes das lutas da classe, e tem tido a iniciativa política de ampliar a unidade na luta, como fizemos na marcha nacional de 2013 e no Encontro Nacional “Na Copa vai ter luta”, em 2014, com as entidades do Espaço de Unidade de Ação e que se ampliou para setores como o Jubileu Sul.
Temos tido avanços na organização da Central, como a ampliação do trabalho no campo, com a organização de dezenas de novos sindicatos e a decisão da Feraesp (Federação dos Trabalhadores Assalariados Rurais de São Paulo) de se filiar à Central.
II Congresso – O Congresso da CSP-Conlutas deve ser o ponto de convergência e expressão da ampliação dessa unidade. A vontade política da nossa Central é avançar na unidade de todos os setores classistas e combativos, que se encontram dispersos, numa mesma organização nacional de frente única. Nesse sentido, saudamos a decisão dos companheiros e companheiras do MES, da APS, do Alicerce e do Juntos de se incorporarem à Central.
Nosso Congresso deve se orientar, desde a sua preparação, na base, para refletir os principais processos de luta e de organização dos trabalhadores em todo o país. Pode e deve se constituir num polo de atração dos setores descontentes com o governismo das direções majoritárias. Pode e deve ser um elemento de atração de setores mais amplos de vanguarda, que buscam construir uma alternativa de luta e democrática.
Fazemos um chamado a que venham ao nosso Congresso os representantes das categorias de trabalhadores que protagonizaram as lutas e as rebeliões de base do último período, em especial os setores operários, dos transportes, da limpeza urbana e os movimentos populares da cidade e do campo.
Vamos receber de braços abertos os novos setores dos trabalhadores do campo que aderem à nossa Central.
Será um Congresso com forte presença da base das categorias profissionais e demais setores organizados na nossa Central.
Vamos fazer um Congresso marcado pela nossa tradição de aliar a luta contra a exploração à luta contra as opressões, com forte presença feminina, da juventude, de negros e negras, quilombolas, indígenas e LGBTs.
Além disso, expressará a vocação internacionalista de nossa Central, da nossa luta pela transformação socialista e pelo fim da exploração em todo o mundo.
Com esses objetivos, esperamos nos encontrar no Congresso da CSP-Conlutas, de 4 a 7 de junho, em Sumaré, no Estado de São Paulo!
* Coordenação Nacional da CSP-Conlutas ( www.cspconlutas.org.br/congresso )

domingo, 12 de abril de 2015

Assembleia dos bancários dia 14/04




Atenção companheiros da oposição bancária da Bahia, delegados sindicais de base e colegas dos bancos públicos e privados:
No dia 14, às 18h, na sede do sindicato, ocorrerá a ASSEMBLEIA DOS BANCÁRIOS PARA DELIBERAR SOBRE A PARALISAÇÃO NACIONAL CONTRA O PL 4330 DA TERCEIRIZAÇÃO.
Em reunião das Centrais que aconteceu dia 08/04, em Brasília, a CSP Conlutas apoiou a realização do dia nacional de paralisações (dia 15), defendendo que essa iniciativa sirva para fortalecer a unidade rumo à construção urgente de uma Greve Geral no país que derrote os ataques aos nossos direitos.
Para isso, essa paralisação tem que ser pra valer!
O sindicato precisa dar ampla divulgação da assembleia, visitar as agências para mobilizar a categoria e convocar uma reunião com os delegados sindicais para construirmos na base uma forte paralisação nos bancos.
O papel de cada bancário é fundamental nesse momento. Além de pressionarmos o sindicato, precisamos conversar com os colegas que ainda têm dúvidas sobre o conteúdo desse projeto das terceirizações.
É muito importante fazermos reuniões nos locais de trabalho para discutirmos as consequências do PL 4330 e a necessidade da participação de todos na assembleia e na paralisação nacional.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

OS BANCÁRIOS TÊM QUE PARAR PRA VALER!


15/04 TEM PARALISAÇÃO NACIONAL CONTRA O PL DA TERCEIRIZAÇÃO!


Paralisação é convocada pela CSP-Conlutas, CUT, CTB, NCST e Intersindical/CCT 


Na última quarta-feira, dia 08/04, a Câmara dos Deputados aprovou o texto base do PL 4330, da terceirização. Entenda o que é este projeto, quais as suas consequências e a necessidade de organizarmos uma grande luta dos trabalhadores para derrota-lo.

1- Por que a terceirização significa perda de direitos e redução de salário?
Os trabalhadores terceirizados ganham, em média, 25% a menos e trabalham, em média, 3 horas a mais que o restante dos trabalhadores. 57% deles recebem até dois salários mínimos. Por isso a terceirização é um grande negócio para os empresários, mas péssimo para os trabalhadores. Não é à toa que 91% das indústrias, segundo dados da própria Confederação Nacional da Indústria (CNI) adotam a terceirização para reduzir custos. O objetivo da terceirização é reduzir os gastos das empresas e dos bancos com salários dos seus empregados. A ideia é contratar uma empresa que pague salários e direitos reduzidos.  Toda a negociação salarial destes empregados será feita com a terceirizada.

2- O PL 4330 libera a terceirização em todos os setores?
Sim, pois não faz qualquer distinção entre atividade fim e meio. Libera as empresas privadas, publicas e de economia mista para terceirizarem TODOS os seus setores.  Por exemplo, os bancos podem contratar uma empresa de tecnologia, de logística, de cadastro para terceirizar estes serviços. Mesmo atividades de atendimento ao público, como caixas, podem ser terceirizados.

3- O que acontecerá com os bancários se este PL for aprovado?
Nos bancos privados, grande parte deve ser demitida e recontratada pelas terceirizadas com salários reduzidos, menos direitos e menos chances de permanecer no emprego. Os trabalhadores terceirizados ficam, em média, 2,7 anos no seu emprego, enquanto os demais ficam, em média, 5,8 anos. No BB e CEF, a terceirização também ficará livre, para todas as áreas. Aqui, as demissões em massa podem não ser o cenário mais provável, mas terceirizados trabalhando nas mesmas funções que os demais funcionários, recebendo salários e direitos menores, pressionam para baixo os salários e direitos de todos. É importante lembrar que comissão não é salário e grande parte da nossa remuneração é comissão, que deve ser a primeira coisa a ser cortada para “nivelar por baixo”. Além disso, não serão abertos mais os concursos públicos para o preenchimento de vagas.

4- Por que os bancários serão um dos setores mais afetados?
Os bancos já estão bem preparados para a terceirização, aguardando ansiosamente pela aprovação do projeto. Hoje, apesar da existência de uma súmula do TST que proíbe a terceirização de atividades fim, vários bancos já a praticam. Os bancos também já concentraram sua área meio em grandes unidades e padronizaram procedimentos, o que facilita a terceirização. Por exemplo, o BB tem grande parte da sua área meio concentrada em três cidades, em grandes unidades que poderiam ser facilmente terceirizadas.

5- Qual efeito na nossa campanha salarial e no acordo coletivo?
Foi incluída no texto do projeto uma emenda, proposta pelo Paulinho da Força, em uma demonstração exemplar do pior tipo de oportunismo, segundo o qual o Sindicato da empresa contratante representaria também os funcionários terceirizados. Esta foi a condição para que ele vergonhosamente declarasse seu apoio ao projeto. Mas isso só resolve o problema do Paulinho e demais burocratas sindicais, que dependem do imposto sindical recolhido dos trabalhadores para manterem seus privilégios. Não resolve o problema dos trabalhadores. No nosso caso, teremos, mesmo assim, várias categorias dentro do mesmo banco, com datas base diferentes e contratos com empresas diversas. A convenção e o acordo coletivo não abrangeriam grande parte dos trabalhadores do sistema financeiro.
 
6- Dilma vai vetar o projeto ?
Tudo indica que não. O Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, negociou uma solução para não ter prejuízo na arrecadação. O governo colocou o PMDB, através do vice- presidente Michel Temer, na articulação política, e foi este partido, da base governista, que garantiu a votação e autoria do projeto. O PL beneficia as grandes empresas e bancos do país, que financiaram a campanha da presidenta. Além disso, vimos que o PT e a base aliada não fizeram nada para impedir as mudanças feitas no seguro-desemprego, nas pensões, auxílio-doença e PIS. Pelo contrário, ajudaram a aprovar todas essas medidas que prejudicam o trabalhador. Por isso, não podemos contar com o veto de Dilma. Acreditamos que a tendência do governo seja sancionar o projeto, caso aprovado pelo Senado.

7- Qual  é a solução?
A única forma de impedir a implementação deste projeto é fazendo  uma grande luta dos trabalhadores em todo o país, não somente contra o PL 4330, mas também contra outras medidas de ataque do governo Dilma aos trabalhadores, como as MP’s 664 e 665, que atacam o seguro desemprego, auxilio doença, pensões, PIS, entre outros direitos. Precisamos construir uma greve geral que pare a maior parte do país, com grandes mobilizações de rua, demonstrando que não vamos aceitar a terceirização nem qualquer medida que signifique jogar nas costas dos trabalhadores as consequências da crise econômica. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Vote Juliana Donato para o Conselho de Administração do BB



Apresentação
Juliana é funcionária do BB desde 2008, atualmente na GECEX SP II. Antes disso, trabalhou no Banco Nossa Caixa. Formada em Psicologia pela UFPR. Sua historia como bancária é marcada pela defesa dos direitos do funcionalismo e do Banco do Brasil como instituição pública comprometida com os interesses dos trabalhadores, aqueles que constroem a riqueza do país.

A direção do BB que calar Juliana. E agora quer impedir sua candidatura no CAREF!
O Banco Brasil esta atacando os delegados sindicais, em uma prática claramente anti sindical. No processo de reestruturação da Área Internacional, por exemplo, 4 delegados sindicais estão sendo descomissionados. Pela primeira vez está usando medidas disciplinares para coibir a atuação sindical O centro do ataque é nossa candidata ao CAREF. No inquérito administrativo aberto contra a Juliana o banco questiona conteúdos da sua publicação nas redes sociais e na Internet, questiona seu direito de fazer reunião no prédio da São João, onde foi eleita delegada. Na verdade quer impedir sua atuação como delegada sindical.
Agora tenta impedir sua candidatura ao CAREF. Evidente que não interessa ao BB uma representante sem qualquer rabo preso, que vai denunciar a atual politica do BB e defender os direitos do funcionalismo. Estamos fazendo uma campanha de solidariedade a Juliana e vamos recorrer a todas as instâncias para garantir sua candidatura.

A ELEIÇÃO DE UM CAREF NÃO GARANTE A DEMOCRACIA NA GESTÃO DO BB!
Vivemos uma enorme deterioração das condições de trabalho no BB. A realidade dentro dos locais de trabalho é cada vez mais massacrante e a comissão virou um item fundamental para conseguir sobreviver, o que facilita a institucionalização do assédio como método de gestão. Como reflexo disto, recentemente, o banco sofreu condenações por dano moral coletivo no Piauí, (condenado a pagar sete milhões) e na Bahia (dois milhões).
O governo e a direção do Banco buscam criar ilusões que, ao se estabelecer um representante dos funcionários no Conselho de Administração do Banco, poderíamos fazer ecoar nosso descontentamento e alterar a dinâmica que o BB está tomando. Nossa candidatura afirma que somente nossa luta poderá derrotar a atual política de RH do BB. A existência de um representante eleito seja quem for não garante a mudança dessa situação. Mesmo após a criação do Caref, a composição do Conselho continuou sendo: 2 representantes eleitos pelos acionistas minoritários; 4 representantes da União – 1 indicado pelo Ministro do Planejamento e 3 pelo da Fazenda; o Presidente do BB; 1 representante eleito pelos empregados.
Além disso, o representante não tem acesso a inúmeras informações, pela alegada necessidade de "sigilo da empresa". O CAREF também não pode divulgar as informações que obtiver sob o risco de sofrer sanções do Banco e da CVM. E o mais grave: não pode participar de decisões relativas a salários, benefícios, assuntos de interesse do funcionalismo, pois a Lei enquadra isto como um “conflito de interesses”. Estranho é que o governo não veja conflito de interesses quando a diretoria do BB estabelece a sua própria PLR.
O ajuste que está sendo implementado pela nova equipe econômica do Governo Dilma vai tensionar ainda mais o BB a aumentar seu lucro, para compor o superávit primário do país. Por isto, a pressão sobre o Conselho de Administração é pela redução de custos, em especial na folha de pagamentos. A atual reestruturação da Área Internacional e do Atacado, que cortou vagas, descomissionou colegas, rebaixou salários, é um dos melhores exemplos de como o BB programa esta politica.
No próximo período provavelmente a nova direção do banco deve aprofundar os processos de terceirização e reestruturação.
Em nossa opinião, a representação de um CAREF só tem sentido se cumprir o papel de fazer a denúncia pública e, colocando-se a serviço de nossa organização contra cada ataque que estiver sendo gestado, seja contra o caráter público do Banco, seja contra os direitos do funcionalismo.

BB 100% estatal e com função pública!
O Banco do Brasil tem atuado como banco privado, tanto na sua relação com o funcionalismo como com os clientes. O novo slogan do BB, Banco de Mercado com Espírito Público, na verdade vem oficializar está atuação do banco nos últimos anos. O atual sistema de metas, a remuneração, cuja maior parte é composta pela comissão e a PLR são instrumentos desse modelo. Defendemos que o BB tenha sua atuação pautada pelo caráter social, com atividade, alma e essência públicas.  Para que isto possa, de fato ocorrer, o controle acionário do BB deve voltar a ser 100 % estatal. Exigimos o fim da segregação da população de baixa renda, da política de encarteiramento de clientes adotada atualmente, bem como com a lógica de utilização do BB como agente financiador dos grandes grupos privados.

O BB deve ser integralmente controlado e administrado pelos trabalhadores!
A única forma de democratizar a gestão é colocando a empresa sob controle dos trabalhadores. Defendemos a eleição de toda a diretoria (que devem ser funcionários de carreira) pelos próprios funcionários do banco. A composição do conselho deve ser alterada. Além dos diretores eleitos pelos funcionários do BB, o conselho seria composto por outros diretores indicados pelos demais trabalhadores da sociedade, que devem ser os principais beneficiados por
Um banco público, como o BB. Desta maneira, poderemos mudar os processos de gestão e transformar o BB no banco que queremos e que a sociedade brasileira precisa.

Atuação do Caref tem que ser INDEPENDENTE!
O representante dos trabalhadores não pode ser mais uma voz em defesa do governo de plantão. O atual representante eleito que é apoiado pela CONTRAF/CUT, Rafael Matos, candidato a reeleição, não foi um ponto de apoio na luta do conjunto dos bancários do BB.  Infelizmente, isto não acontece somente no CAREF. Tanto na PREVI e CASSI, quanto na maior parte das diretorias dos grandes Sindicatos, temos visto nossas representações mais preocupadas em manter relações com o governo do que em defender os trabalhadores.

Remuneração do conselheiro
Somos contra qualquer privilégio material ao conselheiro eleito, que deve receber o mesmo salário que recebe hoje, bem como não receber qualquer auxílio ou jeton de conselheiro.

Garantias de acesso a informações e de Canais de comunicação com o funcionalismo
O representante dos trabalhadores tem que prestar contas da sua atuação. Para isso, é fundamental que seja criado um canal de comunicação , assim como ocorria com os boletins internos, até o fim dos anos 90, enquanto havia representação do Garef.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015




No dia 30 de janeiro ocorre a reunião do Espaço de Unidade de Ação, em Brasília. Esse fórum é composto por diversas entidades, além da CSP-Conlutas, e tem o objetivo de organizar a mobilização dos trabalhadores e setores aliados para as lutas. As organizações participantes divulgaram convocatória com chamado para a reunião. Confira aqui.

sábado, 27 de dezembro de 2014

O governismo da direção do sindicato e a defesa de nossos direitos


Foi com muita apreensão que recebemos a última edição do ano do jornal do Sindicato dos Bancários da Bahia.

A direção do sindicato, de modo eufórico, apresenta a vitória eleitoral de Dilma Roussef e Rui Costa como uma vitória da classe trabalhadora, mesmo após os anúncios de medidas que ferem nossos direitos e que atendem aos interesses dos bancos e grandes empresas, que inclui a privatização de empresas públicas e cortes no orçamento social.

Diante dos ataques a serem realizados pelos governos nos próximos anos em razão da crise econômica, que tem a privatização da Caixa como parte do plano, o que esperar dessa diretoria, que além da empolgada demonstração de apoio, ainda tem um diretor como secretário do governo estadual??

É preciso independência pra lutar! Exigimos que o sindicato repense sua posição, se coloque do lado dos bancários e organize as lutas em defesa de nossos direitos, contra os ataques dos governos.


domingo, 21 de dezembro de 2014

Nota do MNOB-BA sobre a proposta de privatização da CAIXA



Foi noticiado pelo jornal Folha de São Paulo, edição deste domingo, a intenção do governo Dilma-PT de abertura do capital da Caixa Econômica em 2016, precedido de um cuidadoso processo de "saneamento", ou seja, reestruturação e cortes de direitos para deixar o banco apetitoso ao capital privado.

A maioria dos bancários da Caixa votou pela reeleição de Dilma Roussef-PT por acreditar no discurso de defesa e fortalecimento dos bancos públicos feito por ela e por temer a possibilidade de desmonte e a privatização da empresa caso Aécio Neves-PSDB saísse vitorioso.

Passadas as eleições, o governo do PT/PCdoB esqueceu todo o discurso de campanha e revelou seus verdadeiros intentos. Desde as primeiras medidas anunciadas, o aumento da taxa básica de juros, aumento da meta de superávit primário, o reajuste da gasolina, passando pela formação da equipe econômica e composição dos ministérios, Dilma-PT demonstra que seguirá governando para as grandes empresas, o agronegócio e os bancos.

A proposta de privatização da Caixa é mais uma medida das muitas que virão desse governo, na tentativa de fazer com que nós trabalhadores paguemos o preço da crise econômica, enquanto os interesses e lucros privados são priorizados. É preciso superar as ilusões nos governos de coalizão do PT/PCdoB. Na Bahia, por exemplo, Rui Costa já anunciou a privatização da Ebal, EBDA, Bahiatursa, mudanças na previdência dos servidores estaduais e cortes diversos no orçamento social.

Nenhuma medida privatizante poderá trazer benefícios para os trabalhadores e nem para as empresas públicas. São fartos os exemplos do período FHC e são muitos os exemplos também durante os governos do PT/PCdob. O processo em curso de abertura do capital dos Correios, por exemplo, veio acompanhado de privatização do plano de saúde e previdência dos ecetistas. Existe uma dura reestruturação dentro dos Correios que afeta as condições de trabalho e a saúde dos trabalhadores. A privatização interna da Petrobras, só favoreceu a corrupção e a precariedade das condições de trabalho. Está colocada a possibilidade de perdermos ainda mais direitos.

O combate a proposta de privatização precisa começar desde já. Não podemos esperar para ver. Nem mesmo esperar a campanha salarial do ano vem. É preciso organizar a resistência agora e barrar o andamento dessa e de outras medidas que atacam os direitos dos trabalhadores.


Nós do Movimento Nacional de Oposição Bancária - MNOB/CSP-Conlutas defendemos que a preocupação do movimento sindical nessa conjuntura não deve ser blindar o governo, mas sim preparar os trabalhadores para a luta contra as medidas de ajuste e de privatização anunciadas.